Quanto cobrar como personal trainer
Por FitTrack Publicado em 19/08/2026 6 min de leitura
Quanto cobrar como personal trainer não se descobre olhando o preço do vizinho. O número sai de uma conta sua: o quanto você precisa receber, dividido pelas horas que o aluno de fato paga.
Não existe tabela oficial, e isso é de propósito
Toda busca por quanto cobrar como personal trainer devolve a mesma coisa: uma faixa larga, do tipo R$ 50 a R$ 180 a hora, sem dizer de onde ela saiu.
Faixa assim não decide nada. Quem atende em domicílio em bairro afastado e quem atende em studio com sala paga têm estruturas de custo tão diferentes que o mesmo preço quebra um dos dois.
E a tabela oficial não existe por um motivo jurídico. Em setembro de 2024 o CADE condenou o tabelamento de preços praticado por conselhos e sindicatos de uma outra categoria, e o voto do relator, conselheiro Victor Oliveira Fernandes, registrou o raciocínio que vale para qualquer profissão:
O único número público que existe é o de quem tem carteira assinada
O CAGED registra o salário de quem trabalha sob CLT, e é o único piso de comparação confiável que existe. Para a CBO 224140, profissional de educação física na saúde, com amostra de 10.792 profissionais entre julho de 2025 e junho de 2026:
| Salário base CLT, jornada de 37h semanais | Valor mensal |
|---|---|
| Piso | R$ 1.944,34 |
| Média | R$ 3.143,99 |
| Teto | R$ 4.834,90 |
Repare no que esse número já inclui sem aparecer: 13º salário, férias com o terço constitucional, FGTS, INSS recolhido pelo empregador e salário nas semanas em que o aluno viajou.
Quem é autônomo não tem nada disso. Para levar para casa o equivalente à média do CAGED, você precisa faturar bem mais do que ela, e a diferença não é detalhe: entre 13º, férias e INSS sobre o próprio rendimento, dá perto de trinta por cento a mais só para empatar.
Hora trabalhada não é hora faturável
Esse é o erro que mais destrói margem, e ele é de aritmética, não de coragem para cobrar.
O profissional pega o quanto quer ganhar e divide por 40 horas semanais. Só que ninguém paga o trajeto entre um aluno e outro, nem a meia hora montando a periodização, nem as mensagens respondidas no domingo.
A conta certa divide pela hora que o aluno paga, e joga todo o resto dentro dela como custo.
Como calcular o preço da sua hora-aula
São quatro números, e todos são seus:
- Quanto você quer receber por mês, líquido, na sua conta.
- Quanto custa manter a operação por mês: rateio de academia ou aluguel de espaço, transporte, anuidade do CREF, plano de celular, software.
- Quantas horas por semana você de fato dá aula, não quantas trabalha.
- Quantas semanas de folga você quer no ano.
A calculadora abaixo faz o resto, já incluindo a provisão de 13º, férias e INSS que a carteira assinada pagaria por você:
O resultado é um piso, não um preço de tabela. Ele responde a uma pergunta só: abaixo de quanto você está trabalhando de graça.
O que justifica cobrar acima do piso
O piso cobre a sua estrutura. O que fica acima dele vem de coisas que o aluno consegue perceber:
- Especialização com público definido, como pós-operatório, gestante, corredor ou idoso. Nicho estreito sustenta preço melhor do que atender todo mundo.
- Resultado documentado. Aluno que vê a própria carga subindo mês a mês renova sem discutir valor.
- Pacote mensal em vez de aula avulsa. Previsibilidade para os dois lados e menos buraco de agenda.
- Horário disputado. Seis da manhã e sete da noite valem mais do que duas da tarde, e não tem por que custarem o mesmo.
Quanto cobrar por consultoria online
Online costuma sustentar preço por hora mais baixo e margem mais alta, porque o deslocamento desaparece e quase toda hora sua vira hora faturável.
Duas coisas mudam na conta. A montagem e o acompanhamento por mensagem crescem, e precisam entrar como custo diluído nas horas que você cobra.
E existe regra própria. A Resolução CONFEF 542/2024, publicada no DOU em 13 de agosto de 2024, regula o atendimento à distância e obriga o profissional a informar nome e número de registro no sistema CONFEF/CREF de forma visível. Orientar atividade física sem registro é exercício ilegal da profissão, inclusive em ambiente virtual.
Três erros que aparecem sempre
- Cobrar por aula avulsa quando o aluno falta. Aula avulsa transfere todo o risco de agenda para você. Pacote mensal com validade transfere parte dele de volta.
- Nunca reajustar. Se o preço não subiu em dois anos, ele caiu. Combine desde o início uma revisão anual e avise com trinta dias.
- Não saber quem está em atraso. Cobrar é desconfortável, e por isso é a primeira coisa que a agenda cheia empurra para depois. Um lugar único mostrando quem pagou e quem não pagou devolve mais margem do que qualquer aumento de preço.
E a parte que não é preço
Duas coisas valem mais do que a tabela: aparecer para quem procura, e não perder quem já está com você.
Se você ainda está escolhendo onde organizar os treinos, o comparativo entre os apps para personal trainer coloca preço, limite de alunos e limitação de cada um lado a lado, incluindo onde o FitTrack não é a melhor escolha.
Perguntas frequentes
Quanto cobra um personal trainer por hora?
Não existe valor oficial, porque não existe tabela. O único dado público comparável é o do CAGED para quem tem carteira assinada em academia: média de R$ 3.143,99 por mês numa jornada de 37 horas semanais, entre julho de 2025 e junho de 2026. Para o autônomo, o preço da hora sai de uma conta própria, que parte do quanto você precisa receber e das horas que o aluno de fato paga.
Existe tabela de preços do CREF para personal trainer?
Não, e não é esquecimento. O CADE condenou em setembro de 2024 o tabelamento de preços por conselhos e sindicatos, tratando a prática como obstáculo à livre concorrência. Qualquer tabela que você encontrar por aí é levantamento de mercado feito por terceiros, nunca norma.
Quanto ganha um personal trainer autônomo por mês?
Depende de duas coisas que só você sabe: quantas horas por semana consegue de fato dar aula, e quanto cobra por hora. Um profissional com 22 horas de aula semanais a R$ 100 a hora fatura perto de R$ 8.800 no mês, e desse valor ainda saem os custos fixos e a provisão de 13º, férias e INSS que a carteira assinada pagaria por ele.
Devo cobrar mais barato no começo para conseguir alunos?
Desconto de entrada tem um custo que quase ninguém calcula: subir o preço de um aluno que já está com você é muito mais difícil do que começar no valor certo. Se precisar de um empurrão inicial, prefira dar prazo ou uma sessão extra em vez de baixar o valor da hora, porque prazo acaba e preço baixo vira o seu preço.
Como cobrar consultoria online, sem aula presencial?
A conta é a mesma, com uma diferença a seu favor: online não tem deslocamento, então quase toda hora sua vira hora faturável. Em compensação a montagem e o acompanhamento por mensagem crescem e precisam entrar como custo diluído. A Resolução CONFEF 542/2024 regula o atendimento à distância e exige que o profissional informe nome e número de registro de forma visível.
Cobrar por aula avulsa ou por pacote mensal?
Pacote, quase sempre. Aula avulsa transfere todo o risco de agenda para você: se o aluno cancela na véspera, aquele horário não vira dinheiro. Pacote mensal com validade divide esse risco e dá previsibilidade de faturamento para os dois lados.
Cobrança organizada é o que sustenta o preço
A Carteira de Alunos do FitTrack mostra a mensalidade de cada aluno, o que entrou no mês, o que está em aberto e quanto você tem de receita recorrente prevista. O FitTrack não cobra o seu aluno e não fica com nada: o controle é seu, o dinheiro também.
Fontes
- Portal Salário, com dados do CAGED/MTE. Profissional de educação física na saúde, CBO 224140. Amostra de 10.792 profissionais, referência de julho de 2025 a junho de 2026, atualizado em 3 de agosto de 2026.
- CADE. Processo Administrativo 08700.004093/2020-18, julgado em 11 de setembro de 2024, relator conselheiro Victor Oliveira Fernandes. Tribunal do CADE condena tabelamento de preços por sindicatos de corretagem de imóveis.
- CONFEF. Resolução 542, de 5 de agosto de 2024, publicada no DOU de 13 de agosto de 2024. Regula a prestação de serviços de atividade física à distância por meio de tecnologia de informação e comunicação.
- Foto de capa: Antoni Shkraba, no Pexels. Uso livre pela licença do banco.