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Quanto cobrar como personal trainer

Por FitTrack Publicado em 19/08/2026 6 min de leitura

Quanto cobrar como personal trainer não se descobre olhando o preço do vizinho. O número sai de uma conta sua: o quanto você precisa receber, dividido pelas horas que o aluno de fato paga.

Personal trainer explicando um plano de treino para o aluno em frente a um quadro na academia
Foto de Antoni Shkraba no Pexels, uso livre pela licença do banco.

Não existe tabela oficial, e isso é de propósito

Toda busca por quanto cobrar como personal trainer devolve a mesma coisa: uma faixa larga, do tipo R$ 50 a R$ 180 a hora, sem dizer de onde ela saiu.

Faixa assim não decide nada. Quem atende em domicílio em bairro afastado e quem atende em studio com sala paga têm estruturas de custo tão diferentes que o mesmo preço quebra um dos dois.

E a tabela oficial não existe por um motivo jurídico. Em setembro de 2024 o CADE condenou o tabelamento de preços praticado por conselhos e sindicatos de uma outra categoria, e o voto do relator, conselheiro Victor Oliveira Fernandes, registrou o raciocínio que vale para qualquer profissão:

"Considero essa ação grave, tendo em vista o alto potencial de aumento artificial dos preços e os obstáculos criados à livre concorrência." Conselheiro Victor Oliveira Fernandes, relator do Processo 08700.004093/2020-18, julgado em 11 de setembro de 2024.
Se alguém te mostrar uma "tabela do CREF", desconfie. O que existe são levantamentos de mercado feitos por empresas e blogs, úteis como referência e sem nenhum valor de norma.

O único número público que existe é o de quem tem carteira assinada

O CAGED registra o salário de quem trabalha sob CLT, e é o único piso de comparação confiável que existe. Para a CBO 224140, profissional de educação física na saúde, com amostra de 10.792 profissionais entre julho de 2025 e junho de 2026:

Salário base CLT, jornada de 37h semanaisValor mensal
PisoR$ 1.944,34
MédiaR$ 3.143,99
TetoR$ 4.834,90

Repare no que esse número já inclui sem aparecer: 13º salário, férias com o terço constitucional, FGTS, INSS recolhido pelo empregador e salário nas semanas em que o aluno viajou.

Quem é autônomo não tem nada disso. Para levar para casa o equivalente à média do CAGED, você precisa faturar bem mais do que ela, e a diferença não é detalhe: entre 13º, férias e INSS sobre o próprio rendimento, dá perto de trinta por cento a mais só para empatar.

Hora trabalhada não é hora faturável

Esse é o erro que mais destrói margem, e ele é de aritmética, não de coragem para cobrar.

O profissional pega o quanto quer ganhar e divide por 40 horas semanais. Só que ninguém paga o trajeto entre um aluno e outro, nem a meia hora montando a periodização, nem as mensagens respondidas no domingo.

Comparação entre 40 horas de jornada semanal e as 22 horas que de fato são pagas pelo aluno, sendo as 18 restantes ocupadas por deslocamento, montagem de treino e atendimento por mensagem JORNADA DE 40 HORAS 40 h de trabalho por semana O QUE O ALUNO PAGA 22 h em aula 18 h de deslocamento, montagem e mensagem Exemplo ilustrativo. A proporção real muda com o formato de atendimento.
Dividir o que você quer ganhar pelas 40 horas produz um preço que só fecharia se todas elas fossem pagas. Elas não são.

A conta certa divide pela hora que o aluno paga, e joga todo o resto dentro dela como custo.

Como calcular o preço da sua hora-aula

São quatro números, e todos são seus:

  1. Quanto você quer receber por mês, líquido, na sua conta.
  2. Quanto custa manter a operação por mês: rateio de academia ou aluguel de espaço, transporte, anuidade do CREF, plano de celular, software.
  3. Quantas horas por semana você de fato dá aula, não quantas trabalha.
  4. Quantas semanas de folga você quer no ano.

A calculadora abaixo faz o resto, já incluindo a provisão de 13º, férias e INSS que a carteira assinada pagaria por você:

O resultado é um piso, não um preço de tabela. Ele responde a uma pergunta só: abaixo de quanto você está trabalhando de graça.

O que justifica cobrar acima do piso

O piso cobre a sua estrutura. O que fica acima dele vem de coisas que o aluno consegue perceber:

Cuidado com o desconto de entrada. Subir o preço de um aluno que já está com você é muito mais difícil do que começar no valor certo. Se precisar de um empurrão, dê prazo ou uma sessão extra, porque prazo acaba e preço baixo vira o seu preço.

Quanto cobrar por consultoria online

Online costuma sustentar preço por hora mais baixo e margem mais alta, porque o deslocamento desaparece e quase toda hora sua vira hora faturável.

Duas coisas mudam na conta. A montagem e o acompanhamento por mensagem crescem, e precisam entrar como custo diluído nas horas que você cobra.

E existe regra própria. A Resolução CONFEF 542/2024, publicada no DOU em 13 de agosto de 2024, regula o atendimento à distância e obriga o profissional a informar nome e número de registro no sistema CONFEF/CREF de forma visível. Orientar atividade física sem registro é exercício ilegal da profissão, inclusive em ambiente virtual.

Três erros que aparecem sempre

E a parte que não é preço

Duas coisas valem mais do que a tabela: aparecer para quem procura, e não perder quem já está com você.

Se você ainda está escolhendo onde organizar os treinos, o comparativo entre os apps para personal trainer coloca preço, limite de alunos e limitação de cada um lado a lado, incluindo onde o FitTrack não é a melhor escolha.

Perguntas frequentes

Quanto cobra um personal trainer por hora?

Não existe valor oficial, porque não existe tabela. O único dado público comparável é o do CAGED para quem tem carteira assinada em academia: média de R$ 3.143,99 por mês numa jornada de 37 horas semanais, entre julho de 2025 e junho de 2026. Para o autônomo, o preço da hora sai de uma conta própria, que parte do quanto você precisa receber e das horas que o aluno de fato paga.

Existe tabela de preços do CREF para personal trainer?

Não, e não é esquecimento. O CADE condenou em setembro de 2024 o tabelamento de preços por conselhos e sindicatos, tratando a prática como obstáculo à livre concorrência. Qualquer tabela que você encontrar por aí é levantamento de mercado feito por terceiros, nunca norma.

Quanto ganha um personal trainer autônomo por mês?

Depende de duas coisas que só você sabe: quantas horas por semana consegue de fato dar aula, e quanto cobra por hora. Um profissional com 22 horas de aula semanais a R$ 100 a hora fatura perto de R$ 8.800 no mês, e desse valor ainda saem os custos fixos e a provisão de 13º, férias e INSS que a carteira assinada pagaria por ele.

Devo cobrar mais barato no começo para conseguir alunos?

Desconto de entrada tem um custo que quase ninguém calcula: subir o preço de um aluno que já está com você é muito mais difícil do que começar no valor certo. Se precisar de um empurrão inicial, prefira dar prazo ou uma sessão extra em vez de baixar o valor da hora, porque prazo acaba e preço baixo vira o seu preço.

Como cobrar consultoria online, sem aula presencial?

A conta é a mesma, com uma diferença a seu favor: online não tem deslocamento, então quase toda hora sua vira hora faturável. Em compensação a montagem e o acompanhamento por mensagem crescem e precisam entrar como custo diluído. A Resolução CONFEF 542/2024 regula o atendimento à distância e exige que o profissional informe nome e número de registro de forma visível.

Cobrar por aula avulsa ou por pacote mensal?

Pacote, quase sempre. Aula avulsa transfere todo o risco de agenda para você: se o aluno cancela na véspera, aquele horário não vira dinheiro. Pacote mensal com validade divide esse risco e dá previsibilidade de faturamento para os dois lados.

Cobrança organizada é o que sustenta o preço

A Carteira de Alunos do FitTrack mostra a mensalidade de cada aluno, o que entrou no mês, o que está em aberto e quanto você tem de receita recorrente prevista. O FitTrack não cobra o seu aluno e não fica com nada: o controle é seu, o dinheiro também.

Fontes

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