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Anamnese para personal trainer

Por FitTrack Publicado em 19/08/2026 5 min de leitura

Antes de montar a sua anamnese do zero, saiba que a parte mais importante dela já existe pronta, validada e de graça. O PAR-Q+ cuida da triagem de risco, e a sua ficha cuida do resto: histórico, rotina e objetivo.

A parte difícil da anamnese já está pronta

Quem procura modelo de anamnese normalmente está montando o atendimento agora e quer uma folha para usar amanhã. A boa notícia é que o pedaço mais importante dessa folha não precisa ser inventado.

A triagem de risco, que é a parte que decide se você libera o treino ou encaminha, já existe num instrumento validado, gratuito e traduzido: o PAR-Q+, o Questionário de Prontidão para Atividade Física para Todos.

Ele foi desenvolvido pela PAR-Q+ Collaboration, coordenada por Darren Warburton, com Norman Gledhill, Veronica Jamnik e Donald McKenzie, e publicado no Health & Fitness Journal of Canada em 2011. A versão atualizada é mantida e distribuída em eparmedx.com.

Usar um instrumento validado não é preguiça. É o que sustenta a sua decisão se alguém perguntar, um ano depois, por que você liberou aquele aluno.

Por que não usar o PAR-Q antigo

Se você aprendeu o PAR-Q de sete perguntas na faculdade, vale saber o que mudou. A própria colaboração que desenvolveu o instrumento novo comparou os dois:

PAR-Q antigoPAR-Q+
Encaminhados ao médico15% dos avaliados0,8% dos avaliados
Confiabilidade em 3 mesesnão reportada na comparaçãor = 0,99

O PAR-Q antigo mandava ao médico gente que não precisava ir. Isso parece prudência, e é o oposto: cada encaminhamento desnecessário é um aluno que não começa. A pessoa marca consulta, demora, desanima e não volta.

O PAR-Q+ é mais longo porque tem perguntas de seguimento. É exatamente esse detalhamento que evita mandar embora quem podia treinar.

Os cinco blocos da anamnese

O PAR-Q+ resolve a triagem. O resto da ficha é o que faz você prescrever melhor, e cabe em cinco blocos:

  1. Identificação e emergência. Nome, data de nascimento, telefone, e um contato de emergência. Esse último é o campo que todo mundo esquece e que ninguém quer precisar.
  2. Triagem de risco. O PAR-Q+, na íntegra, com data e a resposta original do aluno. Não resuma e não interprete no lugar dele.
  3. Histórico de saúde e lesão. Cirurgias, lesões com lado e ano, dores atuais e o que já foi orientado por médico ou fisioterapeuta. Pergunte por movimento, não só por diagnóstico: "tem algum movimento que dói ou que você evita?" rende mais que "tem alguma lesão?".
  4. Rotina de vida. Sono, jornada, se fica em pé ou sentado, nível de atividade atual, e quantos dias por semana ele realmente consegue treinar. Esse número é o que define a periodização, e é sempre menor do que o que ele diz na primeira conversa.
  5. Objetivo, nas palavras dele. Transcreva. "Quero voltar a brincar com meu filho sem cansar" é um objetivo utilizável; "hipertrofia" costuma ser a tradução que o profissional coloca por cima e que perde o motivo real.

O que não é anamnese

Peso, circunferências, dobras, testes de força e de mobilidade são avaliação física, não anamnese. Podem ficar num segundo encontro.

Misturar as duas coisas cria uma ficha de quatro páginas que o aluno preenche pela metade, e a metade que ele abandona é sempre a última, que é justamente onde estavam as perguntas de saúde.

O limite que a anamnese não pode cruzar

Um bloco de "hábitos alimentares" na ficha é útil para contexto, e é onde muita gente escorrega no passo seguinte.

Registrar o que o aluno relata está certo. Usar esse registro para montar o que ele vai comer não: a Lei 8.234/1991 lista, no artigo 3º, o planejamento e a avaliação de estudos dietéticos entre as atividades privativas dos nutricionistas. O post sobre o que CREF e CFN permitem traz o texto dos artigos.

Se o aluno quer saber quanto de proteína comer, a saída honesta é dar a faixa de referência com a fonte e mandar ele levar ao nutricionista. A calculadora de proteína deste site existe para isso, e diz na própria página que faixa de referência não é plano alimentar.

Anamnese online, desde a resolução de 2024

Se você aplica a anamnese por formulário e atende à distância, existe norma específica.

A Resolução CONFEF 542, de 5 de agosto de 2024, publicada no DOU em 13 de agosto de 2024, regula o atendimento à distância e obriga o profissional a informar nome e número de registro no sistema CONFEF/CREF de forma visível.

Três cuidados práticos que valem tanto no papel quanto no formulário:

O que o software resolve aqui

Ficha em papel tem dois destinos: a gaveta ou a foto perdida na galeria do celular. E ficha que ninguém consulta não protege ninguém.

O FitTrack aplica a triagem de saúde no cadastro do aluno e bloqueia a geração de treino quando alguma resposta indica risco, recomendando avaliação presencial com profissional. É o mesmo raciocínio do PAR-Q+: em vez de confiar na memória de quem prescreve, a trava fica no caminho.

Se você está comparando ferramentas por esse critério, o comparativo entre os apps para personal trainer diz quais delas têm anamnese estruturada e onde o FitTrack não é a melhor escolha.

Aviso

Este texto é informativo e escrito por quem faz software, não por advogado nem por médico. As leis, a resolução e o estudo estão citados com número, data e página para você conferir na fonte, e as fontes estão no rodapé desta página. Baixe o PAR-Q+ atual direto em eparmedx.com, que é onde a versão vigente é mantida.

Perguntas frequentes

O que é PAR-Q+ e por que usar em vez de criar minha própria ficha?

O PAR-Q+ é o Questionário de Prontidão para Atividade Física para Todos, desenvolvido pela PAR-Q+ Collaboration sob coordenação de Darren Warburton. É a versão validada e atualizada do antigo PAR-Q, é gratuito e existe em várias línguas. Usar um instrumento validado em vez de uma lista feita por você não é preguiça: é o que sustenta a sua decisão se alguém questionar por que você liberou ou não liberou um aluno.

O PAR-Q+ é melhor que o PAR-Q antigo?

Sim, e a diferença é grande na prática. Na avaliação da própria colaboração que o desenvolveu, o novo processo reduziu o encaminhamento médico de 15% para 0,8% dos avaliados, com confiabilidade de r = 0,99 num intervalo de três meses. O PAR-Q antigo mandava ao médico gente que não precisava, e cada encaminhamento desnecessário é um aluno que não começa.

O que precisa ter numa anamnese de personal trainer?

Cinco blocos: identificação e contato de emergência, triagem de risco (o PAR-Q+), histórico de saúde e lesão, rotina de vida (sono, trabalho, nível de atividade atual) e objetivo declarado pelo aluno nas palavras dele. Medidas corporais e testes físicos são avaliação, não anamnese, e podem ficar num segundo momento.

Posso pedir exames ou dados de dieta na anamnese?

Pode registrar o que o aluno relatar e o que ele trouxer por conta própria, e deve encaminhar quando a resposta indicar risco. O que você não pode é usar isso para prescrever alimentação: a Lei 8.234/1991 lista o planejamento e a avaliação de estudos dietéticos entre as atividades privativas dos nutricionistas.

Anamnese online tem validade?

Tem, e desde 2024 tem regra própria. A Resolução CONFEF 542/2024 regula o atendimento à distância e exige que o profissional informe nome e número de registro de forma visível. Guarde o registro com data e a resposta original do aluno, porque num questionamento futuro o que vale é o que estava escrito no dia em que você liberou o treino.

Preciso guardar a anamnese por quanto tempo?

Não existe um prazo único e simples, e a resposta depende de finalidade e de base legal sob a LGPD. A regra prática segura é guardar enquanto o vínculo existir, mais o período em que ainda cabe discussão sobre o serviço prestado, e apagar quando não houver mais finalidade. Dado de saúde é dado sensível, então guarde o mínimo necessário e não deixe em grupo de WhatsApp.

A triagem já vem dentro do app

O FitTrack aplica a triagem de saúde no cadastro do aluno e bloqueia a geração de treino quando alguma resposta indica risco, recomendando avaliação presencial. É o mesmo raciocínio do PAR-Q+, resolvido no produto em vez de virar uma folha que ninguém preenche.

Fontes

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